APRESENTAÇÃO DO SEMIFINALISTA – MR/MISS FETICHE BRASIL 2026
Apresentação – Conte-nos quem é você e como gosta de ser chamado nome ou nick?
Prazer, eu sou a Xu! Sou uma pessoa multiartista queer que ocupa a comunidade BDSM a quase seis anos no papel de bottom, brat e exibicionista. Apesar da carinha meiga, já fui nomeada por muitos sádicos como “masoquista de respeito”. As aparências enganam! Sou fotógrafa do universo bedê e uso a arte, estética e storytelling como aliados para performar nos palcos da cena de São Paulo. Autista e TDAH, constantemente provoco pautas sobre inclusão e diversidade dentro do fetiche. Se você não me conhece, vem conhecer mais clicando aqui: www.instagram.com/pinki.wasabi

1 – Conte quem é você além do visual: como começou sua relação com o fetiche e o que o trouxe até aqui hoje?
Minha relação com o fetiche se inicia desde a adolescência, onde eu já conhecia muitos elementos, os admirava mas não sabia seus respectivos nomes. Já flertava com o BDSM ao escutar as músicas e assistir os clipes do Judas Priest em looping, num grande hiperfoco por aquela estética ousada, provocante e letras explicitamente fetichistas! Aos 18 já tinha meu primeiro coturno de cano alto e enfeitava meus looks com algemas cromadas de sexshop. Minha porta de entrada para a comunidade foi um match em um aplicativo de encontros, onde me relacionei por um curto período com uma pessoa Top. Ela me ensinou muitas coisas do que sei hoje (além de ter me ensinado umas boas lições também, se é que me entende hehehe).

2 – O que você gostaria de contar para que a população e os jurados saibam mais de você? Quais seus fetiches?
Muito do meu lado estético e artístico tem sido mostrado desde o início da campanha e ele faz parte de mim, sem sombra de dúvidas! Mas quero apresentar também o contrapeso da leveza, beleza e delicadeza. Posso ser fofa e divertida, mas por trás dessa bonequinha existe uma masoquista que a cada dia me surpreende mais e mais. Utilizo das minhas fragilidades como motivação para superar limites pessoais e encontrei na dor uma forma de ressignificar pautas traumáticas do passado. Poder sentir a dor, aguentá-la e superá-la transformou sobrevivência em potência, controle, autoconhecimento e prazer! Por conta disso, acabo sendo chamada com frequência de “masoca de respeito” pelas pessoas Tops que já jogaram comigo ou por quem já me assistiu apanhando! Meus fetiches e práticas favoritos são Impact Play, Shibari, Bondage, Mumificação, Sensation Play, Nipple Play, T&D, Knife Play, Humilhação/Degradação, Fireplay, Waxplay, Breath Play, Exibicionismo entre uma infinidade de outras coisinhas!

3 – Por que você decidiu se candidatar a este título e o que ele representa para você, pessoalmente e comunitariamente?
Decidi me candidatar por sentir que sou capaz de representar um lado da comunidade que ainda não é tão visto e explorado. Carregar essa faixa não simboliza uma realização pessoal e sim uma realização do coletivo, onde consigo representar a potência feminina dentro da cena, provar que papéis que permeiam o guarda-chuva bottom podem ser reconhecidos por autenticidade, personalidade e protagonismo e que o fetiche realmente é para todes, incluindo pessoas com deficiência. Vencer o Mr/Miss Fetiche Brasil 2026 pra mim é sobre inspirar pessoas potentes e incríveis que muitas vezes não ousam ocupar por não conseguirem se enxergar no topo por falta de representatividade.

4 – Se você conquistar este título, qual é o principal propósito ou projeto que deseja desenvolver para a comunidade fetichista?
Meu maior desejo é utilizar esta visibilidade para questionar espaços e como eles recebem a pluralidade de corpos e diversidade de papéis atualmente. Não quero tirar os holofotes de ninguém, e sim apontá-lo para uma direção em que todas as pessoas possam brilhar! Além disso, quero provocar reflexões e mudanças relacionadas à acessibilidade em eventos, festas, bares e masmorras. Se o BDSM é para todes, então vamos juntos REALMENTE fazer com que todes possam ocupar?

5 – Como é sua ligação com a cena Leather/Fetish local ou internacional? Há pessoas ou momentos que marcaram sua trajetória?
Sinto que a cultura Leather, nascida lá por volta dos anos 50, foi um movimento extremamente revolucionário e vital para a cena fetichista contemporânea. Ela acima de tudo permitiu que a comunidade gay e fetichista pudesse imprimir masculinidade de forma livre e questionadora, incentivando com o tempo a liberdade de expressão das mulheres feministas, lésbicas e bissexuais. Como citado lá em uma das primeiras perguntas, Rob Halford foi minha grande inspiração de liberdade e me conduziu a conhecer origens de referência como o icônico Tom of Finland. Apesar do Leather ser o grande “abre alas” deste movimento, sinto falta da presença feminina neste universo, talvez por ainda ser um espaço predominantemente masculino.
Para além disso, vale ressaltar que a cultura Leather no Brasil ainda tem muito o que ser explorada e principalmente moldada à nossa cultura, sem necessariamente remover a essência do que nos trouxe até aqui. Por ser um estilo de vida caro de se manter devido ao custo de peças e acessórios, é importante admirarmos o Leather e seu peso sem invalidarmos ou banirmos deste espaço aqueles que não tem condições financeiras de vestir couro abraçando outras formas de liberdade estética para além do leather ou do látex!

6 – Após um ano de intensa dedicação do Mestre Cruel e um grande legado comol Mr Fetish 2025, o que você avalia da sua trajetória que foi importante para a cena e a comunidade fetichista e o que você pretende manter e trazer de novidade, se for eleito(a)?
Renan me abriu os olhos pra muitas possibilidades. Na sua trajetória como Mr. Fetiche, dividindo palco em cenas por São Paulo, em sessões privadas e até mesmo nas conversas mais simples. Ele é uma figura que definitivamente me inspirou a estar na semifinal hoje, quebrando alguns conceitos engessados que eu tinha sobre o BDSM e trazendo elementos novos para a cena através da arte, do teatro, e principalmente uma das coisas que mais admiro em sua personalidade: a leveza. Cruel (que é cruel mesmo, mas só consentindo!) na verdade é uma pessoa muito humana, divertida e debochada e isso trouxe uma nova perspectiva para as possibilidades de papel de Top no jogo.
O BDSM e o fetiche é acima de tudo pra nos sentirmos livres. Esse é o legado que ele deixa e que vou continuar com muito prazer! Dá pra ter arte e teatro junto com práticas sérias sendo genuinamente exercidas em palco. Isso é uma coisa que eu já faço e pretendo revolucionar a cena ainda mais! Só que desta vez, com representatividade feminina e bottom.

7 – Mande um recado para os jurados e seus fãs, o espaço é seu!!
Oi jurados! Do lado de cá está sendo difícil, mas sei que não vai ser nem um pouco fácil pra vocês tomarem certas decisões. Nós estamos competindo para representar a nova carinha do fetiche em 2026, mas quem vai decidir quem carrega essa faixa são vocês. Neste concurso, dividimos juntos essa responsabilidade para/com a comunidade. Independente de quem vença, sei que passou pela avaliação de figuras potentes da cena, e, portanto, estaremos bem representados!
Pro #TeamXu, eu agradeço o apoio e engajamento que vocês estão depositando nesta campanha de votação e também na força que estão me dando pra seguir neste processo. Enche meu coração de alegria ver a quantidade de pessoas interagindo e mandando mensagens dizendo que se sentem representadas, que gostariam muito que eu ganhasse. Mensagens de pessoas dizendo que não tiveram coragem de se inscrever por acharem que não se encaixavam, mas que se sentiram representadas e abraçadas ao ver meu nome nos semifinalistas. Pessoas dizendo que me ver competir as fizeram decidir se inscrever ano que vem. Pra mim, isso por si só é uma vitória!
E pra quem ainda não votou em mim, ainda dá tempo de ser #TeamXu votando no site oficial do concurso.
Beijinhos, meus queridos #insurgentes!

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