APRESENTAÇÃO DO SEMIFINALISTA – MR/MISS FETICHE BRASIL 2026
Apresentação – Conte-nos quem é você e como gosta de ser chamado nome ou nick?
É um prazer estar aqui, meu nome é Henrique Silveira Baloneker, tenho 33 anos e, com o aniversário no dia 7 de novembro, estarei me apresentando na semifinal com 34, o que será um presente pra mim.
Vim da cidade de Nova Friburgo, que fica no interior do Rio, na região serrana. Mas hoje moro em São Paulo. Sou conhecido como RickNeker, que é literalmente a abreviação do meu nome e do meu último sobrenome, e também sou conhecido como Pup Kokoto, que é a minha persona pet, esse nome foi dado pelo meu dono e significa uma forma carinhosa de dizer biscoito.
Eu gosto tanto de ser chamado como RickNeker quanto de Kokoto.
Com Kokoto, criei um TikTok que conta com quase 2 mil seguidores, também com presença no Instagram para ajudar pessoas iniciantes no BDSM e no Dogplay, trazendo um trabalho que visa desmistificar conceitos sobre, explicando, por exemplo, a diferença entre DogPlay e Therian.

1 – Conte quem é você além do visual: como começou sua relação com o fetiche e o que o trouxe até aqui hoje?
Minha relação com fetiche começou há mais de 20 anos atrás, quando eu acabei caindo em vídeos na internet relacionados a amarração, dominação, submissão… Talvez, pensando melhor, tenha começado até antes, quando eu ia brincar de polícia e ladrão com os meus primos, e eu sempre tentava convencê-los a ter cordas na brincadeira, ou alguma forma de imobilização e sempre, sempre mesmo, queria ser o ladrão para poder ser amarrado… O desejo de ser submetido foi se mostrando com o tempo, sempre que eu via uma situação num vídeo onde tinha uma prática com um dominador e um submisso, é no lugar do submisso que eu queria estar. Quando eu entrava em sites como bate-papo UOL, eu sempre colocava o nick, escravo sexual
Alguns anos depois acabei caindo num vídeo de Petplay no Instagram, o que me levou à loucura porque na minha mente, estar disposto a ser o cachorro de alguém é o ápice da humilhação e submissão que alguém pode viver, logo, me apaixonei.
Há um ano e meio atrás, eu conhecia meu dono, ele estava trabalhando na minha cidade e nos conhecemos num site de relacionamento, quando eu revelei o que eu gostava de fazer, instantaneamente ele demonstrou interesse e conforme eu ia falando das coisas que eu gostava, ele ia fazendo o máximo para realizar. Num belo dia eu estava na aula da faculdade e recebo uma foto de uma hood (máscara) de DogPlay. Lembro que ao colocar a máscara pela primeira vez, meus olhos brilharam, eu finalmente aos meus 32 anos, pude sentir o que tanto queria sentir porque fui presenteado. Eu poderia ter comprado uma hood antes, mas a vida me realizou dessa forma, e eu achei perfeito…
Considero que meu dono tenha me trazido até aqui, já que ele sempre me ouviu, respeitou o trabalho que eu faço, e ainda me levou na coleira para servir/gravar conteúdo com Dom Barbudo, o que pra mim foi tão incrível, que tatuei o meu número de submisso nas costas, o 620, que marca a minha passagem pelo Studio..

2 – O que você gostaria de contar para que a população e os jurados saibam mais de você? Quais seus fetiches?
Eu sou uma pessoa que durante a vida, nunca soube direito o que fazer, com o que trabalhar, nunca me agradava com nada que fazia..
Eu não conseguia me encontrar, eu sabia que gostava muito de arte então por isso, criei uma empresa online de Quadros Decorativos, o Instagram ODogFrances, que durante um tempo me supriu, eu gostava bastante de fazer os quadros.. Com a pandemia, a empresa faliu já que ninguém mais tinha dinheiro para decorar casa. Antes de conhecer meu dono, eu me prendia muito a minha própria cidade, depois que conheci ele, consegui colocar em prática a criação de conteúdo adulto que é algo que sempre me atraiu, além de me ajudar a estar presente na cena fetichista que tanto amo. Meu dono tem na veia a linha de dominador, bem clara, mas antes de mim, ele também não sabia disso, vivia adormecido.
Meus maiores fetiches são ser imobilizado, e claro, o Dogplay. Me considero um submisso que curte praticamente todos os fetiches, então costumo dizer nas sessões que é mais fácil eu dizer o que eu não faço, melhor falar dos limites…
Eu sempre digo que não curto sangrar, não curto fisting, não curto ficar marcado e não curto scat. Dor extrema pra mim, também amedronta, mas ultimamente, tenho gostado de tentar chegar no meu limite.

3 – Por que você decidiu se candidatar a este título e o que ele representa para você, pessoalmente e comunitariamente?
Eu estava no Rio de janeiro dentro do carro esperando meu dono sair de um trabalho, estava chovendo eu estava com o limpador de vidros ligado admirando a rua. Eu estava tentando achar um tema para o próximo vídeo que eu gravaria para o Pup Kokoto, então entrei no Instagram para me inspirar, eu já seguia alguns doguinhos, e vi que um deles republicou a postagem do Mr Fetiche Brasil.
O cenário feticista de São Paulo sempre foi novo e distante para mim, mas aí eu comecei a pensar que me candidatando, poderia me ajudar a me aproximar de mais pessoas que curtem a vida como eu… Comecei a pesquisar sobre o evento e me inscrevi ali mesmo.
O título representa muito para mim porque percebi, nessa pesquisa que eu fiz, que um ajudava o outro, me identifiquei porque a premissa do canal que criei também é ajudar as
empatia e liberdade, três coisas que eu acho essenciais pra continuar esse movimento que o Mestre Cruel iniciou. Ele construiu pontes; eu quero ampliar essas pontes, levando informação, acolhimento e orgulho pra quem vive o Fetiche no Brasil e fora dele.

4 – Se você conquistar este título, qual é o principal propósito ou projeto que deseja desenvolver para a comunidade fetichista?
Se eu conquistar o título, meu propósito é usar essa visibilidade pra fortalecer a comunidade com informação, acolhimento e representatividade.
Quero desenvolver u m projeto chamado ‘Fetiche Sem Tabu’, pra falar sobre BDSM e Fetiches de um jeito leve, acessível e responsável com vídeos, conversas e encontros abertos. A ideia é tirar o medo, o preconceito e mostrar que o fetichismo pode ser vivido com respeito, segurança e consciência.
Dentro disso, o Pup Kokoto tem um papel muito especial. Ele nasceu como um personagem divertido, mas acabou se tornando minha forma de educar e conectar pessoas.
Através dele, eu quero desmistificar o DogPlay e mostrar que por trás das práticas existe afeto, confiança e liberdade.
No fim, o que e u quero é inspirar as pessoas a se conhecerem melhor, a viverem o fetiche com orgulho e sem culpa, também mostrar que a nossa comunidade tem muito mais a oferecer d o que os rótulos deixam parecer, além de mostrar também que a nossa comunidade abrange todos os gêneros sem qualquer exceção.

5 – Como é sua ligação com a cena Leather/Fetish local ou internacional? Há pessoas ou momentos que marcaram sua trajetória?
Sempre fui muito afastado, pessoalmente falando, da comunidade já que não saía d a minha cidade enquanto vivia uma relação de 1 2 anos. Eu queria muito estar presente e conhecer tudo isso de perto, mas eu não tinha oportunidade e ficava só sonhando e acompanhando pela internet…
Eu admirava muito o Dom Barbudo e o Brenno Furrier, era louco pra conhecê-los e vivenciar tudo pessoalmente.
Quando adentrei no mundo do conteúdo adulto e conheci meu Dom, pude finalmente estar em Sampa e conhecer tudo e todos, e foi completamente incrível..
No cenário internacional, a admiração ainda também é online, nomes como Pup Tosa e Pup Oso me deixam sem palavras e com uma vontade louca de abanar o rabinho juntos kkk. Tosa escreveu um livro sobre DogPlay que sou louco pra ler, em breve, estarei reservando um tempo pra tal.

6 – Após um ano de intensa dedicação do Mestre Cruel e um grande legado comol Mr Fetish 2025, o que você avalia da sua trajetória que foi importante para a cena e a comunidade fetichista e o que você pretende manter e trazer de novidade, se for eleito(a)?
O Mestre Cruel deixou um legado muito bonito e importante.
Ele trouxe uma mensagem de inclusão, falando abertamente com pronomes neutros e abraçando pessoas trans, não-binárias e todas as identidades que fazem parte da nossa comunidade. Ele mostrou que o Mr. Fetish não é um título pra um grupo específico, e sim, é pra todos que vivem o fetiche com respeito e verdade.
Além disso, ele teve uma visão muito ampla, buscando conexões internacionais e mostrando o Fetichismo brasileiro pro mundo. Isso abriu portas e deu visibilidade pra cena daqui, que antes era muito mais isolada.
Se eu for eleito, quero manter esse mesmo espírito de acolhimento e visibilidade, mas trazendo um toque especial de alguém que é submisso, e dog! Quero continuar esse diálogo que o Mestre Cruel começou, de um jeito leve e didático, principalmente através d o Pup Kokoto, que é a forma que encontrei de aproximar quem tem curiosidade, mas ainda não entende o que é o Fetiche de forma consciente.
O Pup Kokoto me permite ensinar e conversar com humor, empatia e liberdade, três coisas que eu acho essenciais pra continuar esse movimento que o Mestre Cruel iniciou. Ele construiu ontes; eu quero ampliar essas pontes, levando informação, acolhimento e orgulho pra quem vive o Fetiche no Brasil e fora dele.

7 – Mande um recado para os jurados e seus fãs, o espaço é seu!!
Antes de tudo, eu quero agradecer.
Aos responsáveis e organizadores Jheff e Rod.
Aos jurados, por dedicarem tempo e energia pra manter viva essa tradição, e a cada pessoa que acompanha e acredita nesse universo que a gente tanto ama.
O Fetichismo, pra mim, é sobre liberdade, verdade e conexão. É sobre se permitir ser quem você é sem medo, sem vergonha, sem precisar se encaixar.
O Pup Kokoto nasceu justamente disso, da vontade de mostrar que o Fetiche também é carinho, é aprendizado, é identidade. E se eu tô aqui hoje, é porque muita gente se viu nisso, e isso me dá força pra continuar.
Aos jurados, eu deixo meu respeito e meu compromisso de representar essa comunidade com amor e responsabilidade. Aos meus fãs e amigos, obrigado por me lembrarem que ser autêntico é o maior fetiche de todos. E obrigado pra quem votou em mim!
Que a gente continue latindo, brilhando e mostrando pro mundo que o Fetiche é, acima de tudo, liberdade.

