ENTREVISTA COM FLORIAN HOLE – SEMIFINALISTA MR/MISS FETICHE BRASIL 20026

APRESENTAÇÃO DO SEMIFINALISTA – MR/MISS FETICHE BRASIL 2026

Apresentação – Conte-nos quem é você e como gosta de ser chamado nome ou nick?

Olá, sou Florian Hole, 36 anos e sou pornógrafo. Sou praticante de fisting há 16 anos e passei por muitas experiências fetichistas desde que descobri que sou podolatra. Produzo vídeos de forma anônima desde os 20 anos, mas sempre para repertório pessoal. Em 2013, aos 23 anos, lancei meu primeiro vídeo anônimo online e não esperava que fosse fazer sucesso como fez. Foi um período onde estava conhecendo mais sobre a prática -que eu já amava- e aquilo me trouxe um brilho nos olhos, pois sempre quis trabalhar com pornô. De lá pra cá, fui conhecendo mais pessoas que praticam fisting e também tendo novas experiências fetichistas, que me ajudaram muito a entender meus limites e desejos. Em 2023, aos 33 anos, foi quando decidi sair do anonimato e entrar de vez pro pornô. Não imaginava o quanto isso seria importante para mim e para outras pessoas.

1 – Conte quem é você além do visual: como começou sua relação com o fetiche e o que o trouxe até aqui hoje?

Primeiro descobri o fisting online e fiquei apaixonado. Quando ele aconteceu, sem planejamento, entendi que era amor mesmo. Com o tempo, fui procurando pessoas que também praticavam para poder ter mais experiências, mas só quando viajei pra Londres que entendi o que realmente é o fisting. Dali em diante, minha relação com fisting mudou. Antes eu tinha vergonha de falar que gostava, porque era muito julgado, mas quando voltei da viagem, eu amava aquilo com todas as minhas forças. Não havia razões para ter vergonha de algo que me faz feliz e tão bem. Se não fosse o fisting, não teria os amigos que tenho hoje. Se não fosse o fisting, Florian Hole não existiria e só estou aqui hoje, porque amo o que faço e percebi o quanto esse amor também tem ajudado outras pessoas.

2 – O que você gostaria de contar para que a população e os jurados saibam mais de você? Quais seus fetiches?

Curiosamente, já nem considero mais o fisting como um fetiche. Sei que pra muitos é, mas para mim, é o meu “arroz com feijão”, meu “papai e mamãe”, sabe? Já é o meu básico do sexo e do prazer. Também tenho o fisting como uma forma de terapia. Porque sempre após uma longa sessão, sinto que meu corpo e mente estão super relaxados. É uma sensação deliciosa. Em relação aos meus outros fetiches, tenho alguns que eu realmente gosto e pratico, mas no final das contas sou experimentalista. Gosto de experimentar alguns fetiches que me causam curiosidade para saber se gosto deles ou não. Dos que pratico mais comumente, além do fisting, é a podolatria, submissão e gagging. Porém, todos eles dependem demais do meu tesão no dia e na pessoa.

3 – Por que você decidiu se candidatar a este título e o que ele representa para você, pessoalmente e comunitariamente?

Não vou mentir, eu não ia participar neste ano. Em 2023, quando teve o 1o Mr/Miss Fetiche Brasil, fisting não era uma prática permitida no palco. Eu poderia falar sobre meu fetiche, mas não poderia apresentá-lo. Isso não fazia sentido pra mim e decidi que não valia mais a pena me inscrever. Tanto que em 2024, decidi não participar. Agora, em 2025, amigos me incentivaram e me disseram que fisting seria permitido. Isso fez uma faísca surgir e cá estou em busca do título. Sobre o que representa pra mim, confesso que ainda estou atrás da resposta. Já comunitariamente, sinto que desde que me tornei um trabalhador sexual do audiovisual, isso abriu porta para muitas pessoas entenderem que fisting, não é dor, sofrimento e nem violência. Óbvio, o fisting pode ser hardcore, mas existe a parte importantíssima da conexão, comunicação, entrega… Existe a possibilidade do fisting também ser extremamente passional, calmo e relaxante. Poder quebrar o tabu sobre a prática, poder transmitir informações importantes para as pessoas, de modo que façam com consciência, cuidado, com carinho e amando seus corpos, é isso que importa pra mim. Ter usado das minhas duas paixões (cinema e fisting) para trazer não só entretenimento, mas também informações pras pessoas, é muito gratificante. E algo que sempre mexe muito comigo é o quanto as pessoas me agradecem por eu apresentar o fisting com amor e prazer. Porque são pessoas que sofriam preconceito ou bullying por gostar de fisting. São pessoas que já questionaram sua sanidade por conta de fisting… Isso mexe demais com nosso psicológico e emocional. E saber que estou ajudando as pessoas, através da minha arte, cara, isso não tem preço. É simplesmente incrível.

4 – Se você conquistar este título, qual é o principal propósito ou projeto que deseja desenvolver para a comunidade fetichista?

Inicialmente, trazer mais informações sobre fisting, de modo que as pessoas saibam o que estão fazendo, porque muitas pessoas começam a praticar sem saber o que fazem e isso pode ser um risco. Também, de alguma forma, falar mais sobre os riscos do uso de químicos durante as práticas sexuais, principalmente o fisting onde muitas pessoas acreditam que precisam estar entorpecidas para poderem praticar. Pretendo criar uma maior integração entre praticantes e também dentro da comunidade BDSM. Fisting é praticado por pessoas de todos os gêneros e corpos, mas existe uma divisão muito grande entre os públicos, sendo uma coisa vista exclusivamente para a comunidade GGG que, em partes, também não quer abrir espaço para outras pessoas. Além disso, continuarei me especializando mais no assunto, continuarei fazendo workshops e oficinas, para que as pessoas entendam e conheçam mais sobre a prática. Acabando com o tabu que ainda existe.

5 – Como é sua ligação com a cena Leather/Fetish local ou internacional? Há pessoas ou momentos que marcaram sua trajetória?

Confesso que minha ligação ainda é pouca. Sou conhecido no meio do fisting, mas na cena leather/fetichista nem tanto. Comecei a ir neste ano a eventos Leather/Fetichista, porém ainda sinto que sou novato. Em partes, porque não uso couro e acreditei por muito tempo que isso poderia ser um impedimento e, neste ponto, é onde gostaria de integrar mais o fisting à comunidade também. Porém existem pessoas incríveis que conheci nestes eventos e fora deles. Seja para praticar fisting ou algum outro fetiche, seja apenas por conhecer mesmo.

6 – Após um ano de intensa dedicação do Mestre Cruel e um grande legado comol Mr Fetish 2025, o que você avalia da sua trajetória que foi importante para a cena e a comunidade fetichista e o que você pretende manter e trazer de novidade, se for eleito(a)?

Pretendo me dedicar muito para que a comunidade fisteira e BDSM continue crescendo e sendo representada com excelência. Além disso, continuarei batalhando pelo respeito e reconhecimento de trabalhadores sexuais dentro da comunidade. Porque ainda existe muito preconceito conosco e não vejo espaço para esse tipo de moralismo dentro da nossa comunidade, que por si só, já sofre muitos julgamentos. Sobre a minha trajetória, acredito ser bastante sobre o fisting ter ganhado mais espaço e as pessoas começaram a entender que não é apenas violência. Além de nesse curto período da minha existência como Florian Hole, apenas 2 anos e meio, ter podido ter uma troca e conhecer mais da comunidade BDSM, além de ajudar a desenvolver projetos incríveis, como o InFFográfico – Um Pequeno Manual Sobre Fisting Anal. De novidade, já falei também, mas quero trazer mais integração e informação sobre o fisting para toda a comunidade fetichista e quero manter o trabalho lindo e representação foda que o Mestre Cruel fez neste ano do seu legado. Estar presente nos eventos, desenvolver projetos que informem e ajudem as pessoas. Quero trazer mais debates e conversas sobre e dentro da comunidade fetichista, para que sejamos mais respeitados de modo geral.

7 – Mande um recado para os jurados e seus fãs, o espaço é seu!!

Em primeiro lugar, quero agradecer meus fãs. Cara, isso é doido. Ter fãs! Mas sou extremamente grato a vocês, porque sem o apoio de vocês pelo meu trabalho, jamais estaria aqui. Vocês são FFantásticos! E aos jurados, quero agradecer por terem me levado em consideração. Por levarem em consideração que uma pessoa que ama ter um braço dentro de si, tem relevância dentro da comunidade fetichista. Sou muito grato por me reconhecerem 💜

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